Snapshot não é Backup!

Não é difícil encontrar um administrador de rede que acredita estar com seu ambiente protegido contra perda de dados por ter criado snapshots em suas máquinas virtuais. No entanto, snapshots e backups são coisas diferentes e cada um tem seu lugar no data center.

Conceito

Para começar, o que é um snapshot? Segundo a Storage Networking Industry Association (SNIA), é “uma cópia de uma coleção de dados em um ponto do tempo”. Em outras palavras, é uma “fotografia” da informação. É como uma foto de família de anos atrás, mas com a possibilidade de voltar o tempo até lá, se necessário.

Agora que o título chamou sua atenção, vamos detalhar a mensagem. Se você levar em consideração que backup é uma cópia da informação principal, então snapshot pode ser um backup ou não, a depender de como é implementado. Mas quando falo de backup, quero me referir a algo mais amplo, precisamente uma estratégia de backup ou rotina de backup, aquilo que você desenha, planeja e coloca em prática no seu ambiente.

Uma boa rotina de backup deve considerar a natureza da informação, as políticas e normas, as retenções, janelas de execuções, capacidade e performance do armazenamento e assim por diante. Falo sobre isso em outro post.

Por que snapshots não são backups

Nesse momento eu vou me concentrar em apenas três pontos pelos quais seu backup não pode se restringir apenas ao uso de snapshots.

  1. Snapshot não recupera arquivos de forma granular.

    Caso você precise simplesmente restaurar uma planilha que foi excluída acidentalmente, terá que retornar o snapshot inteiro. Todas as informações contidas nele irão voltar àquele ponto no tempo, seja uma máquina virtual ou um disco de dados. Esse processo é inviável para recuperar um arquivo ou pasta, pois as alterações realizadas após a criação do snapshot serão perdidas.
    Apenas para ficar ainda mais fácil de visualizar. Pense que os dados do financeiro estão em um disco D: em um servidor Windows, compartilhado na rede. Então o gerente perde uma planilha importante e pede para você restaurar o backup de ontem. Se você tiver apenas um snapshot desse disco e restaurar ele para o dia de ontem, todo o disco D: voltará ao estado de ontem. Não só a planilha do seu gerente mas todos os demais arquivos voltarão a ficar com a data (e o estado) de ontem. Todas as alterações feitas depois do snapshot serão perdidas.
  2. Snapshots degradam performance

    Assim como uma foto de família, não é a própria família mas uma representação dela, um snapshot de um volume é uma representação dele no tempo e não uma cópia em si. Essa representação ocupa espaço e causa leituras e escritas adicionais nos volumes de dados. Quanto mais snapshots são criados, mais a performance do ambiente fica degradada. Então, aconselho que conheça a arquitetura do seu equipamento, sistema operacional ou hypervisor, para ver como os snapshots são implementados (existem muitas variações), qual o impacto deles e, principalmente, as melhores práticas recomendadas pelo fornecedor da solução. Fabricantes de storage e virtualizadores (DELL/EMC, VMware, Microsoft e outros) têm documentações exaustivas sobre o assunto. A título de curiosidade, digite “vmware snapshot best practices” e veja a quantidade de posts com material denso sobre isso.
  3. Snapshots consomem espaço em disco

    Sejam clones (cópias) ou deltas, o mecanismo de snapshots é intensivo em uso de disco. Há um conjunto de ponteiros internos, cópias, journaling e etc. que são usados para manter controle dos incrementos e de transações. A depender de como são utilizados, podem haver snapshots em cascata e outras topologias ainda mais complexas. No entanto há uma temerária operação aí que pode passar despercebida: DELETE. Isso mesmo. Apagar um snapshot costuma ser extremamente custoso, sobretudo em ambientes virtuais. E pior, pode requerer uma enorme quantidade de disco para completar a operação (espaço que é liberado após a conclusão). Quando não há espaço suficiente, esses snapshots não podem ser deletados e isso pode ser uma enorme dor de cabeça.

Resumo

Concluindo, não quero me alongar demais nesse post. Pelo contrário, dividi o assunto em vários outros posts e você pode ir aprofundando à medida que te interessar. Só queria fazer algumas considerações para que você não entre em uma armadilha inadvertidamente. Sim, snapshots são ótimos e eu recomendo o seu uso. Todos os ambientes que projetamos e gerenciamos usam esse recursos e são a melhor opção de recuperação em alguns momentos, além de facilitar sobremaneira o clone de discos e máquinas virtuais. No entanto eles fazem parte de uma estratégia de backup. Não são o backup em si. Se atente a isso.

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Edmar Sampaio
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